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CADA ESTAÇÃO

  Cada estação sua beleza. Nem sempre se vive quando floram as cerejeiras. Nem todos os dias reproduzem-se as baleias. Como não tem sentido uma vida pra encher-se de cerveja. O mundo precisa mudar,  então talvez a empáfia juvenil tenha sua hora. Talvez seja útil a fase da soberba, mas tem a hora do prato principal e a hora da sobremesa. Chega a hora da doçura, a hora de ser terno. Outro tipo de bravura. A coragem de se olhar. O esforço de se entender. A ousadia de deixar o casulo e nele o medo de crescer. Cada estação sua beleza. Assim também a humanidade,  que também tem sua natureza.

DOCE SENHOR

  Doce Senhor, também quero ver-Te. Quando não alcanço perceber-Te minha alma plange. Senhor, sigo-Te como posso. De joelhos, Senhor, imploro que eu possa conhecer-Te. Abre meus olhos, Senhor! Apresenta-Te! Dá-me da tua Água. Dessedenta-me! Quero, Senhor, vida eterna que já me apanhe na Terra e me conduza às alturas. Senhor, esta tua criatura quer amor e paz. O que a tua doçura traz. O amarás e amarás! Senhor, sou contigo. Chega do amargo castigo de do Senhor me apartar. Com o doce eflúvio de tuas palavras faço meu próprio parto quando, Senhor, reparto Tua alegria com todos. Senhor, sou alvoroço, mas dentro de paz profunda. Por favor, Senhor, me infunde tudo de que posso ser portador. Dispensador do que o Senhor despeja. Posso ver que minh'alma viceja e se doa em abraços fraternos. Obrigado, Senhor eterno, por nos brindar com Teu verbo que tudo fez e refaz.

THE CLOUT

If I had your eyes If they could cry  It would make sense tonight If I had your arms If they could embrace me That's how happy I could be If I had been wise not to miss on you I bet you'd be glad too If we had been brave As not to drop it Then maybe we could still feel it But life is only easy when you look back on it As we should know by now And that is why I must be going I hope you've got the clout

GRATO

Obrigado, Pai! Por ter posto em minha vida as pessoas certas! (As certas certas e as certas erradas.) Obrigado pela limonada, e por poder ser adoçada. Obrigado por ter tido tempo de saber o que é um rancho. Obrigado por ser este que de tudo me encanto! Obrigado por meu canto solto desde meu canto que não me prende. Obrigado por ser este ser, eterno no que aprende. Obrigado pelo sorriso, e por poder distribuí-lo sem que me alcance o juízo. Obrigado pelo escorpião que vê pessoas e ambientes. Obrigado pelo aquário de se nadar racionalmente. Obrigado pelo Leão e o garbo de um imenso coração. Obrigado por ser obrigado a perseguir a evolução. Obrigado por tanta estrela, tanto mar, tanto sotaque! Obrigado até pelo que sou sendo-o apenas de araque! Obrigado pela música, e por ser, de tudo, o mais puro que se escuta! Obrigado por ser viajante, e por ser viajor. Obrigado pelos anjos me acompanharem em meu andor. Obrigado por saber amar mesmo onde o amor não chova. Obrigado por me espalhar, hoje...

ESPERAR

  As capitais eram poucas, muito poucas cidades. O país, imenso. O litoral, interminável. O interior, incomensurável.  Fiz a canção e queria que soasse onde o céu fosse mais estrelado. Pedi a Lupicínio que me indicasse o lado. Seu gesto fez 360º dentro dos limites do Brasil. De que importam as luzes da companhia energética? Nossa luz é genética. O Brasil incandesce. Mesmo com tristes palhaços desorquestrando tragédias. Descondutores-pilhérias. O Brasil ri em meio ao choro. O Brasil pede socorro. O Brasil jamais deixará de ser. Sempre vai sobreviver. Pouco importa que lhe sequestrem a bandeira. Que hasteá-la hoje seja coisa de canalhas. O Brasil não veste a mortalha. Sobressalta-se. Salta-se sobre os cacos de vidro. Matá-lo é impossível. O Brasil é a matriz da vida. Gente-humilde luzidia. O Brasil prosperará. Tudo é tempo e empenho Pra quem desdobra o verbo "esperar".

NINDO

Cada lágrima que verto é uma cicatriz com que me marco. Asas mortas, já não abraço. Não tenho membros. Não tenho traços. Não me expresso. Não me aprazo. Escondo-me. Trago-me.  Não sou trazido, luzidio. Escureço. Calo. Os vento sem moinho. Os dedos que já não calço. Sem distâncias e destinos. Jamais chegando. Nunca tendo ido.